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Beija-Flor e Viradouro são destaques no 2º dia do Grupo Especial do carnaval do Rio

Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca também passaram pela Sapucaí. Todas as escolas cruzaram a avenida dentro do tempo máximo de 80 minutos. Veja vídeos dos desfiles.

Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro foram os destaques da segunda noite de desfiles no Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. A avenida recebeu homenagens a grandes personalidades brasileiras e celebrou a ancestralidade.

Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca também desfilaram. As quatro escolas cruzaram a Marquês de Sapucaí dentro do tempo máximo de 80 minutos.

Na primeira noite, os destaques ficaram para Imperatriz Leopoldinense e Estação Primeira de Mangueira. Acadêmicos de Niterói e Portela também desfilaram.

O terceiro e último dia de desfiles, na noite de terça-feira (17) e madrugada de quarta (18), terá Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro na avenida.

A Mocidade Independente de Padre Miguel, primeira escola a desfilar no segundo dia de desfiles, levou para a avenida uma homenagem à cantora Rita Lee. Com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, a Mocidade celebrou o legado musical, estético e comportamental da artista.

Com um samba cheio de referências a músicas da cantora, a escola trouxe um abre-alas grandioso, com o rosto de Rita logo na frente e uma explosão de cores para representar a cultura hippie. Para as fantasias, todas muito coloridas, a Mocidade optou por não usar nenhuma pena verdadeira, já que a cantora era uma ativista de defesa da causa animal.

Também para homenagear o amor incondicional de Rita aos animais, a escola trouxe um carro com cães e gatos com o nome do cão Orelha, agredido e morto em Florianópolis no início de janeiro, na coleira.

No último carro, a Mocidade representou a música “Lança Perfume”, uma das mais tocadas nos bailes de carnaval no ano de seu lançamento. Com um grande arlequim verde e latas de lança perfume, o carro contou com a presença do viúvo de Rita Lee, Roberto de Carvalho.

Atual campeã do carnaval carioca, a Beija-Flor de Nilópolis contou a história do maior candomblé de rua do mundo com o enredo “Bembé”.

O Bembé do Mercado, cerimônia realizada há mais de 130 anos em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, foi representado em um samba que levantou a avenida.

Na comissão de frente, a escola trouxe uma procissão de pescadores com um barco sendo carregado pelos integrantes. Símbolo de travessia e oferenda, o barco se erguia na vertical, revelando a Mãe da Água.

Já no abre-alas, a Beija-Flor representou os rituais de purificação. O carro contava com beija-flores gigantes, aves brancas e máscaras ancestrais na primeira parte do conjunto alegórico. Na segunda parte, tons de azul e dourado evocavam Oxum e Iemanjá.

Como prometido na letra do samba, a escola transformou a avenida em um ritual de macumba, com carros imponentes e cada ala contando um pouco das etapas dessa tradição afro-brasileira.

A Unidos do Viradouro foi a terceira escola a entrar na avenida, já na madrugada de terça-feira (17), com uma homenagem a um dos maiores nomes da história do carnaval carioca, o Mestre Ciça.

Com o enredo “Pra Cima, Ciça”, a Viradouro trouxe elementos clássicos dos ritmistas – como o pandeiro, o apito e os tambores – em sua comissão de frente. O início da apresentação contou com Vitor Gabriel para interpretar o menino Ciça.

Em uma imagem impactante, os dois grandes apitos da comissão de frente se juntavam, formando a Praça da Apoteose e revelando o Mestre Ciça, vivido por ele mesmo, saudando a avenida.

O desfile também contou com o retorno da atriz Juliana Paes como rainha de bateria, após 18 anos de sua última participação, conduzindo os ritmistas de vermelho e branco.

A Viradouro também homenageou o desfile de 2007, quando a bateria subiu em um carro alegórico pela primeira vez. Mais uma vez a bateria ocupou um carro, recriando a imagem histórica.

A última escola a desfilar no segundo dia do Grupo Especial foi a Unidos da Tijuca, com o enredo “Carolina Maria de Jesus”, uma homenagem à trajetória da escritora.

Já na comissão de frente, a Tijuca apresentou a escritora para o público partindo da obra mais conhecida da autora mineira, “Quarto de Despejo”. O carrinho utilizado por Carolina para recolher materiais nas ruas se transformava em seu próprio quarto na favela onde morava.

Na sequência, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira retomou uma tradição mais antiga em se vestir com um símbolo da escola – no caso da Tijuca, o pavão.

A escola recontou a história de vida da escritora, desde sua infância em Minas Gerais, explorando sua trajetória antes, durante e depois do livro que a consagrou. A letra do samba procurava questionar e enfrentar o apagamento de Carolina e restituir o direito a uma memória completa.

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