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Quem você se tornou enquanto tenta ser tudo para todos ?

A dolorosa perda da identidade feminina e o caminho de volta para si mesma

Existe uma pergunta que assusta muitas mulheres. Uma pergunta simples, mas profundamente desconfortável: Quem sou eu? Não quem sou como mãe. Não quem sou como esposa. Não quem sou como profissional. Não quem sou para os meus filhos. Não quem sou para os meus clientes. Não quem sou para a minha família. Mas quem sou eu quando todos os papéis acabam? Quando o silêncio chega. Quando não existe ninguém esperando algo de mim. Quando ninguém está olhando. Quando ninguém precisa de mim. Quem sobra? Para muitas mulheres, a resposta é o vazio e não porque sejam vazias, mas porque passaram tanto tempo vivendo para os outros que perderam a conexão consigo mesmas.

Acontece devagar. Primeiro você abre mão de uma coisa que gostava. Depois de outra. Depois de um sonho. Depois de um desejo. Depois de uma vontade. Até que um dia você percebe que já não sabe mais do que gosta. Não sabe mais o que te faz sorrir. Não sabe mais o que te emociona. Não sabe mais o que te faz sentir viva. Você continua funcionando.
Mas deixou de existir por inteiro.

Vivemos em uma sociedade que elogia mulheres que suportam tudo. A mulher que trabalha, a mulher que cuida, a mulher que resolve, a mulher que sustenta, a mulher que não reclama, a mulher que dá conta, mas ninguém pergunta qual o preço disso. Ninguém pergunta o quanto dessa mulher precisou desaparecer para que todos os outros continuassem bem.

O problema é que sobreviver em função dos papéis não é viver. É apenas existir. Muitas mulheres estão cansadas. Mas não apenas fisicamente. Estão cansadas de interpretar personagens: a mãe perfeita, a esposa compreensiva, a profissional impecável, a filha disponível, a amiga presente. Tantos personagens. Tão pouca identidade.

Talvez por isso a história da personagem de Comer, Rezar e Amar tenha tocado tantas mulheres ao redor do mundo.
Ela não estava procurando um homem. Nem um emprego. Nem uma viagem. Ela estava procurando a si mesma. Porque existe uma dor específica em não saber mais quem você é. E talvez essa seja uma das dores mais silenciosas da vida adulta.

A boa notícia?
Sua essência nunca desapareceu. Ela apenas ficou soterrada sob camadas de obrigação, expectativa, cobrança e sobrevivência. E é possível voltar para ela.

12 passos para recuperar sua identidade:

  1. Pare de perguntar o que esperam de você. Comece a perguntar o que você deseja.
  2. Observe o que te traz paz. Não felicidade instantânea.
Paz. Existe diferença.
  3. Resgate memórias da sua infância. O que você fazia quando ninguém mandava? Ali existem pistas importantes.
  4. Faça uma lista do que você tolera e do que não tolera mais. Identidade também é limite.
  5. Passe tempo sozinha. Quem não suporta a própria companhia geralmente perdeu contato consigo mesma.
  6. Redescubra o prazer sem produtividade. Nem tudo precisa gerar resultado.
  7. Permita-se dizer não. Cada não ao outro pode ser um sim para você.
  8. Questione os papéis que assumiu. Todos eles foram escolhas conscientes?
  9. Reconecte-se com o corpo: Caminhar. Dançar. Respirar. Sentir. O corpo guarda informações que a mente esqueceu.
  10. Experimente coisas novas. A identidade também se encontra na descoberta.
  11. Pare de se definir apenas pelo que faz. Você é muito mais do que sua função.
  12. Pergunte diariamente: “Hoje eu vivi para mim em algum momento?” Mesmo que a resposta seja apenas dez minutos.

O caminho de volta para casa.
Talvez você descubra que gosta de tomar café em silêncio. Talvez seja caminhar descalça na areia. Talvez seja observar o céu. Talvez seja ouvir música. Talvez seja escrever. Talvez seja dançar sozinha na sala. Talvez seja simplesmente não fazer nada. Não importa. O importante é perceber que existe uma mulher por trás dos títulos.
Por trás das responsabilidades. Por trás das cobranças. Por trás da força. E ela está esperando ser encontrada. Porque no final das contas, a pergunta mais importante da sua vida não é: “Quanto eu conquistei?” Nem: “Quantas pessoas cuidei?” Nem “Quanto eu produzi?”

A pergunta é outra e talvez ela mude tudo: Quem eu me tornei enquanto tentava ser tudo para todos? E mais importante: Quem eu ainda posso ser, se decidir voltar para mim?

Por Tatiane Rolim – Terapeuta Emocional (@tatianerolimoliveira / @espacodonadesi.oficial )

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