Americana inicia imunização contra VSR e amplia proteção a bebês prematuros
Americana iniciou a imunização dos bebês internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), principal causa de bronquiolite e infecções respiratórias graves em recém-nascidos, especialmente prematuros. O município realizou a primeira ação na última quinta-feira (19), com a aplicação do imunizante nirsevimabe em cinco bebês.
O nirsevimabe é um anticorpo que oferece ação imediata contra o vírus, e a aplicação passou a estar disponível neste mês pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A iniciativa representa um avanço na busca pela redução de internações, complicações e mortes evitáveis entre bebês.
O imunobiológico é destinado a recém-nascidos prematuros com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, além de crianças de até 23 meses com comorbidades específicas, como cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares e anomalias congênitas das vias aéreas.
Segundo a gerente assistencial do hospital, Sarah Guimarães, a incorporação dessa imunização representa um grande avanço no cuidado neonatal. “O nirsevimabe é um anticorpo pronto, que começa a agir e já garante proteção logo após a aplicação, sem precisar estimular o organismo a desenvolver resposta imunológica ao longo do tempo, como ocorre com as vacinas tradicionais. Com o fortalecimento das estratégias preventivas, o SUS amplia o cuidado às crianças e avança no enfrentamento das doenças respiratórias na primeira infância”, explicou.
Entre os primeiros recém-nascidos imunizados no HM, estão os gêmeos Helena e Anthony, nascidos com 32 semanas de gestação. Os pais celebraram a aplicação da dose de proteção. “Me sinto feliz e aliviada por saber que meus filhos receberam essa proteção. Entendo que é uma segurança a mais para a saúde deles, e, sendo prematuros, todo cuidado é essencial”, disse a mãe, Sandra dos Santos Ribeiro.
Para que os bebês que se enquadram nos critérios recebam o nirsevimabe, o fluxo ocorre de forma integrada entre as unidades de saúde e a administração municipal. O Hospital Municipal ou o posto de saúde onde o bebê é vacinado deve realizar a solicitação à Vigilância Epidemiológica Municipal, através de documentação própria. Após a análise e validação, a pasta encaminha o pedido ao Departamento Regional de Saúde (DRS-VII), em Campinas, responsável pela distribuição e logística do imunobiológico para os municípios.
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Americana, Carla Brito, orienta que pais e responsáveis de bebês que se enquadram nos critérios procurem a unidade de saúde mais próxima para receber as orientações necessárias. “A chegada desse imunizante é um marco para a saúde pública de Americana. Com a Vigilância Epidemiológica atuando de forma integrada à rede assistencial, conseguimos antecipar barreiras contra o VSR e reduzir a circulação de quadros graves de doenças respiratórias entre os recém-nascidos. Nosso foco é garantir que essa proteção chegue com agilidade aos bebês, minimizando os impactos das doenças sazonais na nossa rede municipal”, disse.
A antecipação da imunização neste período é fundamental para enfrentar o aumento sazonal dos casos de bronquiolite, que costuma ocorrer a partir de março. Ao se adiantar à maior circulação do vírus, a estratégia busca ampliar a proteção e reforçar a prevenção, garantindo um cuidado integral aos bebês, com atenção especial aos prematuros. A iniciativa tem como objetivo central a redução de casos graves e de complicações respiratórias entre os recém-nascidos.
A medida é considerada estratégica também do ponto de vista assistencial. Um levantamento da Planisa, consultoria especializada em custos hospitalares, aponta que o Brasil gastou cerca de R$ 13,5 bilhões em 2024 com internações de recém-nascidos prematuros em UTIs neonatais, considerando permanência média de 14 dias e diária mediana de R$ 2.652.
Estudos com famílias acompanhadas pela ONG Prematuridade.com indicam que o tempo real de internação pode chegar a 51 dias, o que elevaria o impacto assistencial para até R$ 32 bilhões. Nesse cenário, medidas preventivas, como a imunização contra o VSR, contribuem para evitar quadros graves, reduzir internações prolongadas e proteger os bebês ainda nos primeiros meses de vida.
“Quando falamos de prematuros, cada dia faz diferença. Poder oferecer essa proteção ainda durante a internação traz mais segurança para o bebê e também para a família, que já vive um momento delicado. É um cuidado que começa cedo e ajuda a evitar complicações”, destacou a Dra. Leticia Bellotto Turim, presidente do Grupo Chavantes.
“A chegada deste imunizante ao SUS em Americana reafirma o nosso compromisso com a modernização do atendimento e o cuidado humanizado desde os primeiros dias de vida. É um investimento em prevenção que salva vidas. Estamos oferecendo o que há de mais avançado na ciência para proteger os nossos pequenos, proporcionando tranquilidade para as famílias e um desenvolvimento mais saudável para os bebês”, ressaltou o secretário municipal de Saúde, Danilo Carvalho Oliveira.
O Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi é administrado pelo Grupo Chavantes, por meio de gestão compartilhada com a Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Americana.
Vírus Sincicial Respiratório
Altamente contagioso, o VSR afeta especialmente recém-nascidos prematuros, bebês com menos de um ano de vida e crianças com comorbidades, que apresentam maior risco de evolução para formas graves da doença. A infecção pode levar à necessidade de hospitalização e internação em UTI neonatal ou pediátrica, além de estar associada a complicações respiratórias de longo prazo.
De acordo com o Ministério da Saúde, o VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos. Apenas em 2025, o Brasil registrou 120.176 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por vírus respiratórios de importância em saúde pública. Desse total, 43.946 casos (36,6%) foram diagnosticados como VSR. Entre esses registros, mais de 36.218 hospitalizações ocorreram em crianças menores de dois anos, o que corresponde a 82,5% dos casos no período.
