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Vila Soma Sumaré, completa 14 anos, sem água, esgoto e asfalto.

Bairro regularizado reúne cerca de 3 mil famílias e cobra avanços na infraestrutura básica

Quatorze anos após o início da ocupação que deu origem à Vila Soma, em Sumaré, cerca de 3 mil famílias seguem enfrentando um desafio central: a falta de infraestrutura básica em todas as ruas do bairro, especialmente no que diz respeito ao abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e pavimentação asfáltica.

Localizado na região de Nova Veneza, o Residencial Vila Soma abriga atualmente entre 12 e 15 mil moradores e é oficialmente reconhecido como bairro regularizado desde 2022, com a emissão da Certidão de Regularização Fundiária (CRF nº 014/2022) pela Prefeitura de Sumaré.

Da ocupação ao bairro regularizado

A história da Vila Soma começou em junho de 2012, quando cerca de 150 famílias ocuparam um terreno de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados que estava abandonado há mais de duas décadas. A área pertencia à massa falida da empresa Soma Equipamentos Industriais S/A e acumulava dívidas milionárias de impostos, sem cumprir sua função social.

Ao longo dos anos, a ocupação cresceu, se organizou politicamente e resistiu a diversas tentativas de reintegração de posse. O momento mais crítico ocorreu em janeiro de 2016, quando uma grande operação de despejo chegou a ser preparada, mas acabou suspensa por decisão do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, que reconheceu o risco à integridade das famílias e o direito fundamental à moradia.

Compra da área e avanço da regularização

Em 2017, a área foi adquirida em leilão judicial pela empresa FEMA Administração de Bens Próprios Ltda. Após negociações, em 2019 foi firmado um acordo para a venda do terreno à comunidade por R$ 60 milhões, pagos de forma parcelada pelas famílias.

O processo culminou, em 2022, na regularização fundiária do bairro e, em fevereiro de 2024, na entrega das primeiras mil matrículas individuais aos moradores, marcando uma etapa histórica para a comunidade.

Conquistas importantes, mas incompletas

Nos últimos anos, a Vila Soma avançou em áreas fundamentais. Entre as principais conquistas estão:

  • Regularização do fornecimento de energia elétrica, com investimento de aproximadamente R$ 12 milhões e instalação de 526 postes;
  • Iluminação pública 100% em LED, segundo a concessionária;
  • Implantação de um módulo de saúde no bairro;
  • Coleta regular de lixo e transporte escolar;
  • Ampliação do acesso à educação, com centenas de crianças matriculadas na rede municipal.

Apesar disso, a ausência de saneamento básico completo segue como o principal entrave para a pavimentação das ruas.

Por que o asfalto ainda não chegou?

Segundo critérios técnicos, o asfaltamento definitivo só pode ser executado após a conclusão das redes de água e esgoto. Asfaltar ruas antes da implantação dessas estruturas geraria desperdício de recursos públicos, já que o pavimento precisaria ser rompido posteriormente.

Atualmente, parte do bairro ainda depende de caminhões-pipa para o abastecimento de água, enquanto diversas residências convivem com soluções precárias de esgotamento sanitário.

O papel da BRK e o impasse atual

A BRK Ambiental, concessionária responsável pelos serviços de água e esgoto em Sumaré, iniciou obras no bairro em novembro de 2023. O projeto prevê a implantação de:

  • 15 quilômetros de redes de água;
  • 18 quilômetros de redes de esgoto;
  • Um reservatório de grande porte;
  • Estação de bombeamento;
  • Mais de 2.700 ligações domiciliares.

No entanto, em resposta oficial a um protocolo registrado em março de 2025, a BRK informou que a continuidade das obras depende da cessão regularizada de uma área específica para a construção do reservatório — responsabilidade que recai sobre a empresa proprietária do terreno, a FEMA Administração de Bens Próprios Ltda.

Responsabilidades e próximos passos

O avanço da infraestrutura da Vila Soma depende da articulação entre quatro atores principais:

  • FEMA Administração de Bens Próprios Ltda., responsável por ceder a área destinada ao reservatório;
  • Prefeitura de Sumaré, que deve intermediar e formalizar os instrumentos legais necessários;
  • BRK Ambiental, pronta para executar as obras assim que a área for disponibilizada;
  • Associação de Moradores do Residencial Vila Soma, que representa a comunidade e cobra soluções.

Uma história em andamento

A Vila Soma se consolidou como um exemplo de resistência urbana, organização comunitária e luta pelo direito à cidade. O bairro já conquistou reconhecimento legal, serviços essenciais e representação política, mas segue aguardando a conclusão da infraestrutura básica para garantir qualidade de vida plena às famílias.

“O bairro já provou que é parte da cidade. Agora, precisa que os responsáveis cumpram seu papel para que a Vila Soma tenha água, esgoto e ruas pavimentadas como qualquer outro bairro de Sumaré”, reforçam lideranças comunitárias.

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